Crítica – “Missão Impossível: Acerto de Contas” é a prova de que franquias longas podem manter a qualidade

O longa possui algumas ressalvas, mas entrega uma boa história.

Missão Impossível: Acerto de Contas
Divulgação/Paramount

“Missão Impossível: Acerto de Contas” é a primeira parte do quinto filme da famosa franquia de ação. A história do agente Ethan Hunt (Tom Cruise) começou em 1996 e ainda tem muito o que percorrer. O desafio de dar uma continuidade que ainda apresente originalidade e entusiasmo foi concretizado com sucesso na nova produção.

A equipe IMF tem uma nova missão arriscada com os membros Ilsa Faust (Rebecca Ferguson), Benji Dunn (Simon Pegg) e Luther Stickell (Ving Rhames). Dessa vez, eles precisam rastrear e deter a Entidade, uma inteligência artificial que tenta dominar o mundo através dos recursos digitais e com a posse de uma chave misteriosa, pode abrir um elemento secreto que garanta o monopólio do poder.

Nessa nova construção, os personagens seguem com muitas provas de fidelidade, inimigos e perseguições a todo momento e principalmente: o uso da inteligência a das habilidades humanas para tentar driblar uma força digital. Essa crítica e conexão – vibe Black Mirror – é um ponto inovador que a história já conhecida apresenta e dessa forma, consegue inovar dentro de uma fórmula pronta.

Um dos sucessos de “Missão Impossível” se deve a uma boa dinâmica dos personagens e tela. Isso porque o longa possui 2h40 de duração e para que esse tempo não fosse arrastado, há um bom esforço entre as trocas do roteiro da história, somados a diálogos com atuações concretamente interessantes e envolventes.

O protagonismo de Tom Cruise não merece destaque apenas por ocupar o centro do enredo, o ator tem uma entrega surpreendente no personagem. O tempo não envelheceu o agente Ethan, mas só o deixou mais sábio, paciente e dinâmico. Com anos interpretando o personagem, é notável que o ator conseguiu tirar o melhor de sua performance e isso colabora diretamente no efeito do filme.

Outro grande destaque dessa vez, é o retorno de Vanessa Kirby como Alanna Mitsopolis/Viúva Branca. A atriz repete o papel com maestria, com pouco tempo de tela, existe uma conexão eletrizante de suas falas, que prendem a atenção do telespectador. A melhor parte envolve o fato dela se tornar uma outra pessoa, com a mudança facial de costume da equipe de Hunt.

Apesar da relevante performance de alguns atores, por questões de roteiro, muitos personagens são explorados superficialmente. De fato, não seria possível que todos tivessem o mesmo espaço, mas algumas construções são jogadas sem explicações plausíveis.

Isso acontece com a personagem Paris de Pom Klementieff. A ajudante do vilão principal tem poucas falas nos dois primeiros atos do filme e de repente ela se torna uma das peças principais do terceiro, sem justificativas fortes que deem relevância a sua história nessa produção.

Os planos de filmagem dão um toque especial ao novo “Missão Impossível”

Existem detalhes técnicos que podem transformar uma obra do cinema para o bem e para o mal. No caso do novo longa dirigido por Christopher McQuarrie, os planos de filmagem foram utilizados a favor de uma melhor experiência visual e com a didática certa para apresentar a atmosfera desejada durante a narrativa.

Filmes de ação precisam de bons cortes e apresentações de imagem, para que causem o impacto e a tensão necessária. A produção de “Missão Impossível” conquista esse feito com uma dinâmica de plano sequência bem utilizada entre as cenas. Os momentos de confronto não abusam dos efeitos visuais, mas carregam uma boa e bem ensaiada luta humana, que prende a atenção do público.

Algo que exemplifica esse momento, são as cenas de perseguição e os truques dos próprios personagens que são bem apresentados por conta das técnicas de filmagem. Os destaques são feitos sutilmente e trazem o ar de suspense para o que é mais importante em cada situação, como a famosa luta no beco que conquistou a superação de um grande desafio.

O desfecho do longa determina que mais informações serão necessárias para que as contas sejam acertadas realmente. E para essa missão, o longa conquista a possibilidade de ter um começo, meio e fim bem definido, mesmo que necessite de uma continuação. Ao olhar para Velozes e Furiosos 10, é até cômico enxergar como Missão Impossível 7 conseguiu mostrar como se faz um filme com duas partes e que ainda seja coerente. As próprias cenas feitas em Veneza superam o que a saga de carros de corrida tentou concretizar.

“Missão Impossível: Acerto de Contas 1” é o sétimo filme de uma famosa e clássica franquia de ação que conseguiu entregar uma obra bem sucedida. Os longas que estão retornando aos cinemas, não concretizam uma boa produção tal qual o filme de Tom Cruise conseguiu entregar. A boa dinâmica dos atores se uniu a uma fotografia de qualidade, com um roteiro apresentando uma envolvente narrativa e apesar de alguns personagens jogados, consagrou uma obra digna de cinema.