Crítica – “Barbie” é o maior lançamento do ano e seu sucesso não são apenas números

O filme de Greta Gerwig consegue alcançar as altas expectativas.

Barbie
Reprodução: Warner Bros. Pictures

As primeiras notícias sobre o filme “Barbie” já geraram expectativas nos telespectadores. A cada anúncio de novos atores, participações ou detalhes da trama, deixavam o público completamente animado para o lançamento do novo filme de Greta Gerwig. Com inúmeras expectativas de todos os lados, o novo filme da famosa boneca da Mattel já foi criado com o desafio de emplacar e corresponder com a ansiedade de todos.

Greta é uma cineasta conhecida por grandes acertos como “Lady Bird” (2008) e “Adoráveis Mulheres” (2020). Ao longo das entrevistas, ela deixou claro que muitos esforços foram feitos para que o filme fosse o mais próximo da Barbielândia o possível. Essa dedicação não ficou clara apenas nas imagens e materiais divulgados, mas também na performance do longa por completo.

A história mostra um grande dilema da Barbie Estereotipada (Margot Robbie). Enquanto vive sua perfeita e monótoma vida todos os dias, ela se questiona em meio a uma festa sobre a morte. Apesar de deixar isso de lado, aos poucos ela percebe que algo está errado e apenas uma visita ao Mundo Real pode resolver e trazer respostas.

Barbie embarca nessa aventura com Ken (Ryan Gosling) e depois disso a Barbielândia passa por uma revolução inesperada. Ao longo disso, todos os aspectos das Barbies e Kens são demonstrados mantendo uma grande fidelidade a marca oficial: Mattel.

O que faz a produção suprir as grandes expectativas geradas é a genialidade da maneira que o roteiro de Gerwig foi conduzido. Apesar de muitas informações terem sido entregues nos vídeos de divulgação, existe surpresas e novas realidades que surpreendem o telespectador ao levá-lo em um mix de sentimentos em cada cena.

O primeiro arco do filme, funciona perfeitamente para introduzir a dinâmica da vida no mundo da Barbie, as características rosa e como esse universo funciona de forma paralela ao mundo real, ainda que encontre algumas conexões. A maneira que as falas são encaixadas, torna a produção fluída, espontânea e divertida.

Não há superficialidade em nenhuma das provocações, desde as questões sociais até as questões estéticas e físicas. O filme é caracterizado por sua profundidade no assunto, sem perder a essência e isso o torna uma das melhores produções deste ano. Sem contar que o grande número de referências dinamizam a sucessão de acontecimentos, dando respiros entre cada informação da performance de Barbie. 

Barbie é uma homenagem ao legado feminino

America Ferrera desempenha um dos papéis mais importantes no filme. Apesar do pouco tempo de tela comparado a protagonista Margot Robbie, a atriz consegue entregar um papel verossímil que gera uma grande identificação com uma parcela do público.

Diante dessas reflexões feitas pela personagem ao longo da trama, há profundas questões de existencialidade e sobre ser mulher. Sem extremismo ou militância exagerada, o filme aborda de forma natural e envolvente cada uma dessas situações. Sendo esse o ponto mais emocionante e forte de toda a trajetória. Essa característica fortalece o legado feminino e entrega uma boa desenvoltura para a narrativa.

Para que esse aspecto ficasse tão claro ao telespectador, foi necessário a junção de uma boa escolha de atores, somada a fotografia e trilha sonora. Tirando o roteiro de lado, essa é a tríade que sustenta o filme. Facilmente, ele se perderia se não fosse a junção dos apelos estéticos. Sendo também uma atenção específica, ao exagero em certos momentos musicais.

Se tratando em exagero, muitos tópicos são aceitados pela performance de Barbie. Mas algumas partes se tornam bem forçadas, apesar de cômicas. E com certeza isso acontece especificamente nos momentos musicais de Ken, com todos os personagens que representam essa figura.

A notável atuação de Margot Robbie e Ryan Gosling mostram que os personagens foram bem desenvolvidos. Mas o prêmio de Barbie é levado para a própria Greta, que conseguiu trazer a figura icônica para o mundo real, na atualidade e não perdeu o charme ou ficou desinteressante.

“Barbie” é um drama atual que traz uma homenagem ao legado feminino na figura da icônica boneca da Mattel. A produção possui um roteiro de dar inveja em muitos outros filmes elaborados e consegue abordar bem temas sociais e pessoais. No entanto, a performance apresenta alguns pontos forçados.

Por fim, o longa supre toda a expectativa gerada por sua grandeza e ainda deixa o telespectador na vontade de uma continuação. Mesmo que não haja nenhum indício na história de que isso possa acontecer.