Estudo que relaciona videogames a armas de fogo é julgado inconsistente; entenda

A instituição afirmou que uma nova versão do estudo foi feita e está atualmente sob análise.

Não é de hoje que estudos especializados tentam relacionar a violência de algumas tragédias a afinidade dos criminosos com jogos de tiro. No entanto, só agora em 2017 que uma pesquisa intitulada como “‘Boom, Headshot!’: Effect of Video Game Play and Controller Type on Firing Aim and Accuracy” que foi publicada em 2012, teve sua teoria derrubada.

A tal pesquisa argumenta que quem joga os chamados “shooters” (jogos de tiro em primeira pessoa) usando controles que se assemelhem a uma arma tende a se tornar um bom atirador também fora daquele ambiente. Nos estudos dos pesquisadores, é levando em consideração o fato desses games geralmente recompensar quem consegue acertar a cabeça dos oponentes.

campus_bushmanO responsável pela pesquisa é o psicologo Brad Bushman, da Universidade de OhioBushman também é responsável pelo estudo que afirma que jogos calmos fazem com que as pessoas se tornem mais amigáveis. Suas pesquisas ganham força através do site Retraction Watch, vem há anos mostrando que jogos eletrônicos e mídia violenta podem levar ao aumento da agressividade e da violência na sociedade.

Já em 2015, várias inconsistências foram sinalizadas por dois estudiosos que não tiveram participação com a “‘Boom, Headshot!’..etc..”. A universidade foi alertada sobre uma série de inconsistências, e por este motivo deveria ser desconsiderada. Foram eles, Patrick Markey, professor de psicologia na Universidade Villanova, e Malte Elson, pós-doutor em psicologia comportamental na Universidade Ruhr Bochum, na Alemanha.

Markey tem uma visão diametralmente oposta à de Bushman, tanto que está para publicar um livro chamado “Moral Combat: Why the War on Violent Video Games is Wrong” (“combate moral: por que a guerra contra videogames violentos está errada”, em tradução literal).

Ao receber o alerta, um comitê da própria Universidade de Ohio recomendou a derrubada do estudo. Markey e Elson também falaram com a revista Communication Research, responsável por torná-lo público, pedindo que ela emitisse uma retratação. A própria universidade reconheceu que os valores das variáveis que estavam sendo questionadas não puderam ser confirmados porque os registros que levaram à conclusão da pesquisa não estavam mais disponíveis, então não havia outra saída que não fosse a desconsideração do trabalho.

Em nota ao Retraction Watch, a instituição afirmou que uma nova versão do estudo foi feita e está atualmente sob análise para possível republicação.

Fonte: Olhar Digital