Crítica | Em Ritmo de Fuga é com certeza um dos melhores filmes do ano

"Baby Driver" ou "Em Ritmo de Fuga", é com certeza um dos melhores filmes do ano.

“Baby Driver”, ou como foi traduzido horrivelmente para o Brasil, “Em Ritmo de Fuga”, é o novo longa do diretor britânico Edgar Wright. Com muita expectativa ao redor de “Baby Driver”, pelas avaliações extremamente positivas em sua primeira exibição no festival South by Southwest deste ano, e pelos 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, depois de sua recepção nos EUA, o filme terá sua estreia oficial no Brasil no dia 27 de julho.

E sim, “Em Ritmo de Fuga” não decepciona. Wright teve a ideia para este filme cerca de 20 anos atrás e desde então vem o construindo em sua cabeça. Algo que em 2003, gerou o clipe da música “Blue Song”, da banda Mint Royales, dirigido por ele, e que é praticamente idêntico a primeira metade da cena de abertura de seu novo filme.

Não há como começar esta análise se não pela direção de Edgar Wright. Mais uma vez, ele nos entrega um filme completamente original em sua carreira, diferente, e maravilhosamente bem executado. A direção é simplesmente absurda, desde a boa direção de atores, à excelente decupagem e coordenação de todas as cenas (principalmente as de perseguição de carros), até ao uso da trilha sonora arrebatadora e a montagem. O filme é levado por música, mais especificamente pela música que provém do iPod do protagonista Baby, interpretado por Ansel Elgort. Wright novamente dá uma aula de como escrever e dirigir um filme pensando na pós-produção e na montagem, em como usar estes recursos para fazer um filme ser divertido e dinâmico.

Apesar de não ser um filme com muitos diálogos, devido a própria natureza quieta de Baby, o filme conta sim com piadas faladas. E é exatamente por este “minimalismo” quanto ao que é dito em cena, que todos os momentos cômicos funcionam muito bem, especialmente quando Bats, personagem interpretado por Jamie Foxx, está em cena ao lado de Ansel. Nestas sequências, vemos a destreza de Wright ao escrever comédia, usando objetos de cena e situações para criar o cômico.

O ritmo do filme é perfeito no primeiro e terceiro ato, com a medida certa de velocidade entre cenas, variando entre os momentos de conhecer mais a história de Baby e os de ação. O único momento em que o filme cai levemente é no segundo ato, o filme desacelera um pouco demais para desenvolver a relação de Baby com Debora, personagem da atriz Lily James, e as dificuldades de Baby ao tentar sair de sua vida criminosa.

Como já deve ter ficado claro, o casting é impecável e as atuações são impecáveis. Ansel Elgort faz uma interpretação incrível, e mesmo sem falar muito, cria empatia com o público e conquista com o charme “diferente”, que Baby precisava. A partir daí, todo o elenco de apoio executa seus papéis com perfeição. CJ Jones como o pai adotivo surdo de Baby é incrível, e completamente hilário quando interage com Ansel. Lily James tem um charme inegável e consegue trazer toda a afetividade e inocência que seu personagem pedia. Kevin Spacey faz o seu clássico papel de Kevin Spacey, e não tem muitos desafios. Jamie Foxx é perfeito, engraçado e um completo idiota como Bats, nos fazendo rir e sentir raiva de seu personagem ao mesmo tempo. Por fim, Jon Hamm e Eiza González, são outra grande escolha, nos apresentando um casal de criminosos completamente sem noção e com muita química.

Quanto a outras questões técnicas, como direção de arte e direção de fotografia, “Em Ritmo de Fuga” segue a mesma linha de outros filmes do diretor, não sendo chamativas, mas absolutamente perfeitas e funcionais.

Apesar de tantas coisas positivas, o filme não é isento de problemas. Além do já citado problema de ritmo no segundo ato, o filme tem mínimos problemas de roteiro. Algumas reações e ações envolvendo os personagens de Lily James e Kevin Spacey já na parte final do longa, são levemente forçadas, para que a história continue a acontecer da melhor maneira possível.