Crítica – 3ª temporada de “Eu Nunca…” repete fórmula do gênero e surpreende no resultado

Os novos episódios dão continuidade na história de Devi.

Eu Nunca
Reprodução/Internet

Desde 2020, a Netflix aposta na fórmula de uma comédia dramática juvenil na série “Eu Nunca…”. Com a 3ª temporada, a trama criada por Mindy Kaling e Lang Fisher, permanece repetindo a estratégia de uma narrativa intensa e divertida, além de conquistar bons e surpreendentes resultados.

“Eu Nunca…” é estrelada por Maitreyi Ramakrishnan e mostra a vida da jovem de ascendência indiana, que lida com esse contraste de cultura. Sua mãe tenta manter os costumes do país de origem, em meio a um cotidiano americano. Devi sofre com seu jeito prepotente e muitas vezes egoístas, mas junto de pessoas especiais ela vive momentos engraçados e divertidos de acompanhar.

Nesse novo ano, Devi vive aventuras inéditas, entre namoro, superação do luto de seu pai, novas posições para lidar com suas amizades e em uma viagem pelo autoconhecimento e segurança de si mesma. Todos esses arcos foram bem conectados nos dez episódios da terceira temporada.

Diante dos acontecimentos do último ano, Paxton (Darren Barnet) foi o escolhido para finalmente viver o primeiro e oficial relacionamento da protagonista. Através de todos os dramas vividos nesse contexto, a série conseguiu passar uma de suas principais lições: a importância de se falar sobre a forma de como os jovens expressam a sua identidade diante da atual sociedade.

É claro que muitos dos conceitos de “Eu Nunca”, são maneiras exageradas de encarar a vida, é por essa estratégia que a história se torna divertida e arranca muitas risadas nos telespectadores. No entanto, mesmo com o teor cômico, o novo ano da obra conseguiu apelar mais para o lado emocional, do que a diversão. Tal fator não atrapalhou a linha que as outras temporadas seguem e se manteve como uma narrativa empolgante.

Dessa vez, as atitudes de Devi demonstraram uma maturidade maior, em vista do que ela viveu até então. A forma que o roteiro foi construído para que esse efeito seja causado no telespectador, mostra a sutileza e força das ações da personagem. O principal ponto se dá pelo interesse natural que ela demonstra pelas questões de suas amigas, uma vez que finalmente consegue deixar de lado o protagonismo de sua vida.

Outro fator que chama atenção, é como isso mostra a relevância dos outros personagens na conclusão da história. Principalmente quando se trata de Paxton, que tem um último ano do ensino médio revelador. Ele é o famoso personagem que deixa de ser um “babaca juvenil”, para um jovem promissor, mas sem perder a sua essência de galã.

Nalini (Poorna Jagaanathan) também tem uma reviravolta surpreendente, após conquistar uma nova amizade, a mãe de Devi consegue curar alguns aspectos do seu luto. Tal ação interfere diretamente no tratamento com sua filha, pode-se notar claramente que ela está mais tolerável e liberta a filha de muitas exigências. É a fase mais tranquila de Nalini até então e para o telespectador, isso é surpreendente, tendo em vista tudo que ambas já viveram.

Algum personagem foi deixado de lado em “Eu Nunca…”?

Assim como toda produção de séries juvenis, “Eu Nunca…” também deixou de lado uma personagem que poderia ter tido uma relevância maior. Aneesa (Megan Suri), surgiu no segundo ano e se tornou uma grande ameaça para Devi, por ser uma jovem bonita, simpática e principalmente, indiana. Após uma grande luta, ela finalizou aquele ano com um futuro promissor nos novos episódios.

E de fato, Aneesa integrou um importante arco da trama, principalmente por ter tido sua própria busca pelo autoconhecimento. No entanto, todos os acontecimentos foram apagados por outras importantes questões da trama, isso por serem expostos de forma rápida, muitas vezes superficial e deixou o telespectador se questionando se ela poderia ter tido uma história mais desenvolvida.

Apesar de não ser a protagonista, os relacionamentos e as peculiaridades da personagem geraram grande interesse e poderiam ser utilizados de forma que agregassem mais valor para a própria amizade com a protagonista. Com tantos jovens, certamente alguém ficaria de lado e nesse caso foi Aneesa.

Aneesa e Devi de "Eu Nunca..."
Aneesa e Devi de “Eu Nunca…” – Reprodução/Internet

“Eu Nunca…” é um drama juvenil que em seu terceiro ano continua emocionando e arrancando diversas risadas do público. De forma divertida, leve e natural a trama consegue abordar questões importantes para os dias atuais, com uma crítica a alta valorização do estilo de vida americano. Mas principalmente, a história consegue envolver o telespectador para dentro da mente de uma adolescente intensa, cheia de sonhos, desejos e que só quer encontrar um lugar no mundo para se sentir amada e realizada.

Nota da autora:

Avaliação: 4 de 5.