Crítica | Uma Família Feliz apresenta um roteiro raso e não é diversão garantida nem para crianças

Uma Família Feliz já esta nos cinemas brasileiros.

“Uma Família Feliz” (Happy Family), é uma nova animação de origem alemã que está sendo lançada neste dia 17 de agosto. A história é uma adaptação do livro de mesmo nome escrito por David Safier e se foca em Emma, uma infeliz e desestrada mãe, que deseja reunir a família desajustada mais uma vez para se divertir no Halloween. Porém, a diversão em família acaba indo por água abaixo, e com um Conde Drácula solitário na jogada, as coisas acabam se complicando mais ainda.

A direção do longa ficou por conta de Holger Tappe, ele já havia realizado mais quatro filmes de animação na carreira, porém todos mais fechados na Alemanha. Aqui, ele nos traz uma boa decupagem de cenas em alguns momentos, com escolhas de transições interessantes. A construção da paleta de cores do filme ficou por uma bem vívida e colorida, típica de animações da Pixar. Em questão de intenções trabalhadas em seus personagens, as escolhas são duvidosas. Ações exageradas e sem nenhuma novidade, não acrescentando nenhuma característica em especial para nenhum deles.

Porém, “Uma Família Feliz” vê em seu maior problema o roteiro escrito por David Safier e Catharina Junk, e não a direção. Este aspecto realmente derrubou o filme. Personagens com conflitos rasos, conflitos esses, que são apresentados no início, enrolados e reapresentados diversas vezes até o início do terceiro ato. As soluções para cada um dos sub-plots são simples e preguiçosas, assim como todas as tentativas cômicas do filme. Todas as piadas são em um nível muito infantil, crianças com mais de 8 anos provavelmente já não darão risada e se cansarão da falta de engajamento que o longa apresenta. Toda a trama envolvendo o antagonista Drácula é muito apressada, se tornando superficial.

Em outros quesitos técnicos, o filme se sai de maneira regular. A animação é boa, bonita e condizente com os paradigmas atuais do ramo. As ambientações são simples, porém a escolha por um visual mais futurista para o Drácula realmente não foi boa, lembrando mais o Magneto do que o próprio Drácula em alguns momentos. Os enquadramentos e escolhas fotográficas apenas passam com naturalidade. A montagem tem alguns momentos mais dinâmicos, porém há uma tentativa de transição de cena que é muito mal executada.

Por fim, a dublagem em português, que tem Juliana Paes no papel de Emma como sua maior estrela, é apenas razoável. Não chega a ser destoante, mas não é o melhor trabalho dos dubladores nacionais.